Você já se perguntou se somos nós que fazemos os momentos em nossas vidas ou se são os momentos em nossas vidas que nos fazem?

Aline Castanhari:

"O meu mundo não é como o dos outros,Quero demais, exijo demais,há em mim uma sede de infinito,uma angústia constante que nem eu mesma compreendo,pois estou longe de ser uma pessimista;sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada.Uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade... Sei lá de quê!"

Requintes:

Olhares,coragem, silêncio, melodias e harmonias, solidão, meu pai, ousadia,livros,dança, respeito, cavalheirismo, eloquência, velas, escuridão, pinturas, estrelas...

Efeito:

“O que a lagarta chama de Fim de Mundo, você costuma chamar de borboleta”

Borboleta:

"Quanto mais alto voamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar" – Nietzsche

Asas:

"E toda vez que falta luz,o invisível nos salta aos olhos."

Céu:

"Há coisas que são conhecidas e coisas que são desconhecidas. E entre elas, há portas." - William Blake





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Meios e fins

Quando descemos do avião em Porto Alegre minha irmã perguntou se estava tudo certo com a locação do carro; eu disse que sim, já havia feito a reserva e era apenas necessário passar no guichê e a locadora nos levaria até o carro. Foi aí que lembrei de um detalhe; a locadora nos levaria até o local que estava o carro, mas e depois de lá ? 
Eu tinha totalmente me esquecido de anotar o endereço do hotel ou se quer havia feito alguma anotação de como chegar a Novo Hamburgo – nosso lugar de destino. Minha irmã começou a chorar de rir com a utopia da cena: “Temos uma carro, mas não temos aonde ir com ele rsrsrsr, isso é tão você”. Sim aquilo era muito eu; demasiadamente eu.
 
O assunto do carro foi rapidamente e facilmente resolvido; entrei numa lan house e pronto. O que achei curioso e engraçado, é que a situação atual de minha vida é exatamente esta; um carro na mão e nenhuma direção à vista; e não, não estou usando lirismo algum aqui. Uma vida dentro de uma mala - é literalmente isso que estou fazendo no momento - e ainda não sei o que fazer ou aonde ir com esta mala.
Bem, é devido a isto que estou aqui nestas terras gaúchas; estou especulando um caminho, exatamente assim; mais preocupada em entrar numa estrada do que chegar a algum lugar...


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Spies - Coldplay



- Postado por: aline-castanhari às 20h03
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Algo que a convença

E me diga o que fazer com esta tristeza que fica, mesmo quando tudo se vai, mesmo quando a alegria chega;
Me diga o que fazer com esta sensação de que há algo errado que eu não possa concertar, reparar ou questionar;
Me diga o que fazer com este vazio que nada enche, que nada compreende. 
Me diga o que dizer, com este silêncio que me sufoca; 
E me diga como permanecer com essa indiferença que me dissolve, que me desaparece;
Como lágrimas na chuva...

“Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta.” – Fernando Pessoa



- Postado por: aline-castanhari às 11h33
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"Nunca pensei que você fosse assim"

Todas as pessoas são iguais, mas algumas são mais iguais que as outras. 
Quando se tem 23 anos, ou menos, ou mais, há uma demanda social explícita; você tem que sair, beber, conversar com o máximo de pessoas que puder conversar, ir no máximo de lugares que conseguir ir e mostrar o quão descolado, legal e feliz você é. No máximo há esta demanda: Mostrar felicidade. Ceio que isso seja mais que uma necessidade, é uma característica soberana do ser humano, a vaidade, o ego, a afirmação. “Olhe! Estou cheio de amigos, rindo muito, chapado, às 3 da manhã de uma segunda! Hãaa vidão”. Quando se tem 23 anos, ou menos, ou mais; as pessoas buscam na priori isso, trabalhar é muito importante, pelo dinheiro a ser gasto no final da semana, ou durante a mesma; estudar é muito importante pelo trabalho a ser garantido para garantir o dinheiro a ser gasto no final da semana, ou durante a mesma. Quando se tem 23 anos, ou menos, ou mais, as pessoas tendem a ser absurdamente chatas e sem graça - a meu ver - e eu, sou um ET, ao ver delas.
“- O que você está fazendo em pleno Ano Novo na sua casa?! Assistindo um filme? Meu, eu nunca pensei que você fosse assim...”
Quem vê uma menina cheia de piercings, tatuagens, com uma camiseta de banda, uma meia arrastão, uma coturno com espora de galo e uma coleira no pescoço deve pensar algo muito extrovertido de minha pessoa, até mesmo libertino; deve pensar qualquer coisa na verdade, mas menos que minha questão de felicidade ou diversão está a milhas e milhas longe de qualquer bar, balada ou afirmação.
Ando cada vez mais aparte, as pessoas se assustam com isso e não entendem, como alguém tão nova pode parecer tão velha. Ando cada vez mais aparte e entendo perfeitamente, como quero cada vez mais me apartar...





- Postado por: aline-castanhari às 17h07
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A bruxa que não sou

 Gosto de ouvir pessoas, receber conselhos, nunca os sigo, mas gosto de conhecer visões alheias, verdades alheias. E o assunto que mais escuto é “destino” e as divagações e premonições deste. A maioria, de uma maneira ou outra, acredita solidamente que há um plano maior, uma espécie de mapa a ser seguido, ou uma linha traçada a ser andada. Isso me parece bonito e confortante, mas não real. Mas o que nos ossos me irrita é o papo de que algumas coisas não acontecem como desejamos por que “não eram para acontecer”. Vou usar exemplo para ser mais clara; você quer muito passar em medicina, mas estudar não é lá o seu forte e depois de algumas frustradas tentativas acaba desistindo e entrando em biologia numa universidade particular ao lado de sua casa. E a moral da historia se torna: O seu “destino” era ser biólogo e não médico. 
Ser biólogo ou médico ou caixa de supermercado é uma questão de escolha, aptidão, perfil e principalmente mérito. É claro que a vida contém fatalidades, se você nasceu em Nova Gertrudes, estudar em Harvard não é algo muito plausível. Me lembrei  de uma frase:"Liberdade é querer o que você pode"- Sartre. E o poder é sempre uma expansão ou uma confinação.

 O que muito lamento é o conformismo que esta teologia de vida-escrita-nas-estrelas traz. Concordo que somos pessoas diferentes com formulas diferentes, mas o que não concordo é encobrir nossas fraquezas e florescer nossos fracassos, porque precisamos exatamente disso, de nossa pior parte para alcançar a melhor parte. É preciso cavar um buraco para erguer uma muralha. Se simplesmente chegarmos ao fundo e nos convencemos que é ali nosso lugar, estaremos vencidos por nos mesmos e o pior, nem se quer teremos consciência disso, afinal, pensaremos estar vencido pelo mundo, por sua injustiça e seu carma, ou seja lá qual nomenclatura for usada para isso.
 
 Ontem à noite, como em tantas outras noites estávamos eu e minha irmã sobre a mesa da cozinha conversando sobre todos os assuntos deste mundo e dos outros. E chegamos numa conclusão agradável: Talvez – sim, talvez, estejamos resignados a algo, não importa da onde veio ou de quem veio esta resignação, mas vamos ponderá-la. Se nascemos direcionados, qualquer caminho acabará levando à um mesmo lugar. Então a diferença está aí, ou melhor, a resposta está aí. O final é o final. Agora temos apenas o caminho. Podemos seguir em direção oposta, dar a volta pelo globo e acabar no mesmo marco que acabaríamos se seguíssemos uma linha reta. Assim, a questão é: O que você quer agora? Vou exatidar meu pensamento; seria o mesmo que concluir que vamos morrer, então por que não se matar agora? Afinal vamos morrer. Por que viver uma vida – e como dá trabalho viver uma vida – para no final morrer? Vamos simplificar! É o nosso “destino” morrer...
 
 A escolha existe e seu peso é imensurável, pois não conseguimos aceitar limitações como seres humanos; queremos ver por todos os ângulos, queremos saber todos os segredos e desvendar todos os mistérios....  Mas se não fosse estes mistérios, qual o deslumbre de estar vivo?
 Não creio em conselhos, nem em profetas ou videntes. Eu creio em um mundo a ser descoberto; eu creio em responsabilidades e erros; concertos e acertos; sorrisos e flores a serem colhidas e entregues. E acima de tudo, eu creio em escolhas.

 "Escolha o seu destino, ame o seu destino."
 



- Postado por: aline-castanhari às 17h17
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Quem tem muita sede não escolhe a água

Minha mãe gosta de alcachofra, meu pai de mocotó, minha irmã de nuggets. Mas o que nunca entendi é como as pessoas gostam de São Paulo. Eu compreendo, mas não entendo, como eu posso entender o prazer de uma alcachofra ou de um nugget.

Eu sempre vi São Paulo como uma cidade de luzes. Inapagáveis luzes. Não há céu, não há estrelas, há luzes, apenas. Então é isso que as pessoas enxergam... Luzes acima de seus olhos. E se guiando por holofotes, elas não avistam o chão, e nem aonde estão. A realidade é ofuscada e isolada. Como um cenário de papel.

São Paulo não se limita à São Paulo. Eu posso entender pessoas que comem jiló, ou que gostam de abacate, mas não consigo entender a beleza das decorações de natal.

O vazio da existência e suas necessidades. Meu vazio deve ser tanto, que tanto me é muito pouco. Ou não. Eu trocaria, eu daria todas as luzes desta cidade pelo brilho de seus olhos. Mas não há brilho nos olhos. Há pisca-piscas numa árvore de plástico.

 

Uma amiga disse: “O dever de um homem solitário é ser mais solitário ainda.” Hoje, agora, me vem à flor da pele estas palavras. Há cada dia pessoas me mostram uma mediocridade que não compreendo. Não há verdade, não há razão, ou se quer coerência. Me sinto um imigrante, que não entende o que ouve e ninguém entende o que fala.

 

Alguns gostam de chuva, outros de calor, alguns acordam cedo nos domingos. Mas ninguém gosta de um rio poluído e mesmo assim, mergulham nele.

 





- Postado por: aline-castanhari às 04h55
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Essência

Em noites como esta eu acredito precisar de pouco, muito pouco. Luzes de abajures, flores estampadas num papel de parede, vinho, uma palpável canção que preenche este quarto, o cheiro de manteiga e ervas  sobre o fogo. O cansaço do trabalho, a gratificação da exaustão, a voz de meu pai no telefone “- Mas você vem mesmo para o Natal né?”.  Noites como esta desfazem sonhos, os tornando medíocre, perto da magnitude do presente. E todas aquelas ambições, preocupações, constatações, voam pela janela e dissolvem estrelas.

Às vezes eu quero o mundo e às vezes apenas quero paredes, poesia e calmaria. Um refúgio, um reencontro aparte.



- Postado por: aline-castanhari às 01h45
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Em primeira pessoa

Escrever me é uma necessidade, na verdade um hábito, escrevia quando não sabia escrever, quando muito nova usava desenhos para criar histórias, me lembro claramente das broncas de minha mãe por gastar um bloco de sulfite em uma noite.

Hoje, tenho duas formas cotidianas de escrever, neste blog, em que faço textos que me são constatações da realidade e em meu diário, em que faço textos que me são constatações sobre mim. Talvez a maior diferença entre ambas formas de escrito seja a ponderação, pondero minha subjetividade aqui enquanto em meu diário, me derramo.

Mas hoje, em particular, irei transcrever aqui o que escrevi em meu diário.

 

E o que vem depois do amanhã? O hoje.

O tempo me contêm fórmulas indecifráveis, mas que totalmente me decifram.

Semana passada eu contive um desespero afinco dentro de mim, como o de uma criança perdida numa multidão, à procura de um adulto que a pegue pela mão; e seja sua paz. Aonde está minha paz? Entre caminhos que apenas me repulsavam eu arduamente procurava uma passagem secreta, que me tirasse daqui e me levasse para algum lugar um pouco menos ordinário.

Minha semana começou hoje, depois de um final de semana pleno em Araraquara e uma volta caótica para São Paulo. E já aprendi à não me exaltar com plenitude e nem com caos. Hoje entardeci (acordei às 14:30), divinamente bem e até mesmo calma. Adormeci  ontem na rede entre abajures e vinho, ao som do piano de François René e da harpa de Marielle Nordmann. E agora estou aqui, entre uma xícara de café e uma página de diário.

Uma soma de muitos fatores me converteram do desespero à esta paz, como minha família e amigos – e não foi a distração destes, suas risadas ou ouvidos, mas sim a simples conotação da presença, uma verdadeira e irrefutável presença. Outro fator foi minha Arte, minha música; não importa aonde esteja, em que situação esteja, com um violão na mão e com estrofes entre os lábios, eu estarei bem – e encontrada.

Além do mais, eu acho que todas pessoas deveriam adormecer ouvindo música clássica  e amanhecer escrevendo em diários...

 



- Postado por: aline-castanhari às 17h51
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Disritmia

- Você já viveu sua vida mundo afora, já se aventurou tanto, não acha que está na hora de parar num solo firme e criar estabilidade?
- Achar isso seria o mesmo que achar que deveria nascer novamente. É uma constatação inútil. Posso mudar o que sou, mas não quem sou.
 

Eu nunca soube exatamente aonde queria ir, o que queria fazer, ou nada sobre tantas outras afirmações. Apenas sempre soube aonde não queria ficar, o que não queria fazer e tantas outras negações. Acredito que o problema não seja errar, mas sim o tentar. Hoje aos 23 anos me deparo com o dever no oposto de meu prazer. E atordoadamente imagino como unir dois extremos, sem poder andar em círculos.
Ouvi por estes dias a seguinte frase: “Conseguir algo é deixar algo”.
Há tanto que quero conseguir, há tanto que preciso deixar e a subtração é tanta que me anula. Então não estou racionando, não há fundamentos em meus atos, apenas constituições.  Da onde estou saindo, para onde estou indo. Não posso avaliar. Só não quero aqui ficar. E faço disso uma bússola. E ter uma bússola sem um mapa não é mesmo tão estranho? Saber a direção mas não para aonde ela leva... Talvez seja exatamente isso que queira, descobertas, oásis e estradas.

A minha coragem era de um sonâmbulo que apenas vai” – Lispector

 



- Postado por: aline-castanhari às 13h34
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A capite ad calcem

O carro caiu num rio, a correnteza era demasiadamente forte, não havia muito à se fazer fora a entrega. Deitei e dormi, nos confins de tudo que sentia havia canseira. Acordei com os respingos da água no rosto, e um frio; olhei ao redor, tudo estava drasticamente diferente, ou era apenas eu? O rio rasgava uma estrada e havia uma placa. “ End of Quebec

Flocos de neve caiam sobre o rio, o vente sobrava forte, me levando cada vez mais rápido, eu não sabia para aonde, mas imaginava que chegaria ao topo do mundo; e isso não importava muito, eu apenas fechei os olhos e senti o ar cortante contra o rosto.

 

25/11/11

 

Meus sonhos andam cada vez mais fortes, mais reais. Gosto desta sinestesia, nesta noite, acordei confusa entre a realidade e o seu torpor. Até agora consigo sentir aquele vento, o som do rio, o cheiro de neve. Foi a primeira vez que senti o cheiro da neve, e isso aconteceu num sonho. Esta noite em particular eu tivera muitos sonhos. Uma nova colega me disse que tinha 20 gatos. Eu sonhei que entrava em sua casa e me deparava com um gato siamês cego. Eu me esquecera disso até a tarde do dia seguinte, fui buscá-la em sua casa, ela me convidou à entrar e me deparo com um siamês cego.

Vivi tanta coisa nestes últimos dias, que sinto como se anos tivessem passado. Há tanta memória dentro de mim, que o tempo se desvaira. Ele não me é exato. Minha turbulência é tanta que as rochas são lisas hoje. O caminho é ir, eu não sei para aonde, e isso não importa muito... O meu sentir é tão maior que o meu saber. E hoje, eu aceito isso. Inteiramente.

 

Mas esse vagar sem rumo me transformou mais do que pensava. Eu não sou mais eu. Pelo menos, não sou o mesmo eu por dentro.”

 

Valência - Espanha - 2008

 



- Postado por: aline-castanhari às 11h37
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Estávamos lá, as três, naquela velha garagem. Três gerações. Um sangue. Fumávamos e conversávamos sobre nossa vida, era uma única vida, como um laço formado de várias fitas. Ela se levantou apressadamente, como sempre, e se foi. Logo mais, eu me levantei, iria encontrá-la, como sempre. Iríamos para o mesmo lugar, por caminhos diferentes. Eu me despedi dela, ela me abraçou com aquele singular abraço; eu morreria por este abraço, eu morreria neste abraço. E docemente me sussurrou: “Cuide de minha menina! Eu confio em você”.

Dei partida no carro e fui atrás da menina, dona de minha menina.

Cheguei, mas ela não estava. Chegou logo após.

Sentamos na frente dele e de sua música. E choramos. Um choro quieto e compartilhado. Ela não precisava dizer nada, nem eu.

Fomos embora. Ela entrou no seu carro, eu no meu. E pegamos direções apartes.



- Postado por: aline-castanhari às 04h20
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Romaria

Em momentos como esse, eu me sinto de uma peculiar maneira; em momentos como esse, no qual enfrento problemas reais, eu esqueço os imaginários; eu nitidamente vejo o que importa e o que simplesmente parece importar. Muito se torna fútil, supérfluo, desnecessário, ordinário. Em momentos como esse, me sinto pequena demais em relação à vida e grande o bastante perto do mundo. Em momentos como esse, eu me sinto suficiente, pois sei o que me basta.

Daniel F Gerhartz



- Postado por: aline-castanhari às 05h02
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Algo que a acalme

Havia muito gente em sua casa, alguns eram amigos, outros amigos de amigos, desconhecidos.  A música estava alta, as pessoas espalhadas pelos três cômodos, havia bebida, muito bebida e todos bebiam, conversavam e riam. Era uma festa e é isso que as pessoas fazem. Ela circulava entre a casa, uma amiga a segurou pelo braço e perguntou:

- Por que você está assim?

- Assim como?

- Não sei, frenética. E nem começou à beber...

 

Ela não soube o que responder. Sim, ela estava “frenética” e não sabia explicar o porquê, mas sabia que não era empolgação, era o contrário, estava incomodada e não sabia também explicar porque, parecia que procurava algo, talvez uma saída.

Quiçá preferisse estar sozinha, com seu único vinho, se balançando na rede, com uma música ao fundo que a levasse para longe.

Ela não entende porque sempre faz coisas que a revidam, como se isso afinal, não importasse, como se ela afinal, não importasse.

 



- Postado por: aline-castanhari às 04h31
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Por que se enganas tanto Pierrot? Procurando tanto um sonho de Colombina?

Como sempre comprei flores.

Coloquei dois botões de rosas numa garrafa em cima da mesa; uma branca e uma vermelha.

À noite, saí com o botão de rosa branca na mão e com alguém estampado sobre os olhos.

No final, a  rosa continuou dentro de minha mão, mas nos olhos não.

O botão secou, ninguém o tocou.

Já era manhã quando cheguei e vi; o botão vermelho que em minha casa ficou foi o que desabrochou.

 

E me flagro sorrindo sobre a maquiagem borrada de Pierrot, lembrando uma frase, conhecida frase de meu Mario Quintana:

O segredo é não correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para que elas venham até você.

Logo eu que a achava tão piegas...

 



- Postado por: aline-castanhari às 07h47
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Quod me nutrit me destruit

- Eu só acho... Eu realmente acho; que você deveria resolver este problema, antes que este problema te resolva.
- Sabe Aline, eu não ligo.
- Você o quê?!
- Eu não ligo. O que tem que ser será, não adianta sofrer assim, o que temos que passar; passaremos, não há como remediar. Além do mais, eu não tenho arrependimentos.
- Se você pensa desta maneira... Cada um sabe o peso que carrega.
- As coisas vão se resolver.
- É isso que me preocupa! As coisas vão se resolver de um jeito ou de outro. Se você não resolvê-las logo, elas se resolveram por si só e com certeza este resultado não será aquele que você espera!

- É, você está certa. Mas eu já cansei. Só eu sei o que passei.
 
Eu não concordo. Eu não concordo que os erros que cometeram conosco sejam justificativas para nós cometermos outros erros. Eu não concordo que nossa dor tenha que receber misericórdia. Eu não aceito que o meio interfira no ser, não. Eu não quero suas desculpas, eu não quero suas armas e seus escudeiros... Eu quero seus pés descalços, sua roupa rasgada, seu sangue escorrendo, sua cara em lágrimas, sua coragem, sua fé, sua índole, sua resistência, sua fuga num cavalo para um reino distante, que te traga dias melhores e não promessas. Malditas promessas. Que nunca chegam.
 
 "Forte não é o carvalho que suporta ventanias e tempestades, mas sim a frágil flor que se abre no meio da neve."



- Postado por: aline-castanhari às 02h53
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Despertar

São 05:41 da manhã, eu tenho que molhar minhas plantas, abro a varanda, me ponho a tarefa e me flagro assim parada, olhando para varanda a fora, e reparo que sutilmente sorrio, imitando Monalisa. Há um certo encontro neste tom de céu que me encontra, o subverter da noite em dia, como se véus ao vento se encontrassem, unindo cores, revelando passagens perdidos entre paisagens.

A rua está tão vazia, o silêncio da madrugada é tão somente quebrado por pássaros acordando e folhas se balançando, e estas se balançam daquela peculiar maneira que tanto gosto, como se não houvesse vento, como se elas dançassem a melodia daqueles pássaros. 

Mas o que me encanta e assim me traga é o mistério contido neste bucolismo,  é como se um segredo me fosse sussurrado, uma resposta, respondendo todas as perguntas que tenho e que possa vir a ter.

Há tanta complexidade nesta simplicidade que eu me entrego, por inteira. E um tanto quanto emocionada agora estou aqui, escrevendo, traduzindo visões em palavras, guardando-as para que não as perca, quando o dia erguer ou a noite abaixar...

 



- Postado por: aline-castanhari às 06h22
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